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A ATUAÇÃO DO
PSICÓLOGO HOSPITALAR EM UNIDADE
DE TERAPIA INTENSIVA – Adultos
SERVIÇOS DE PSICOLOGIA HOSPITALAR NÊMETON
CEPPS:
HOSPITAL BRIGADEIRO
DE SÃO PAULO – SERVIÇO DE TERAPIA INTENSIVA – Adultos
HOSPITAL DO SERVIDOR
PÚBLICO MUNICIPAL DE SÃO PAULO – SERVIÇO DE TERAPIA INTENSIVA - Adultos
Therezina Di Biagi: ·
Psicóloga
supervisora do Serviço de Psicologia Hospitalar- Hospital Brigadeiro São
Paulo, e supervisora do Serviço de Psicologia do Hospital do
Servidor Público Municipal de S. Paulo. ·
Mestre em
Psicologia Clínica – PUC /SP ·
Professora
do Curso de Especialização em Psicologia Hospitalar – Nêmeton CEPPS. ·
Professora
do Curso de Especialização em Medicina Psicossomática
– Associação
Brasileira de Medicina Psicossomática – Reg. S. Paulo Ricardo Werner Sebastiani ·
Psicólogo
Coordenador do Serviços de Psicologia Hospitalar dos Hospitais Brigadeiro e
Servidor Público Municipal de S. Paulo. ·
Coordenador
Científico do Nêmeton – Centro de Estudos e Pesquisas em Psicologia e Saúde ·
Professor
junto aos Cursos de Pós Graduação em Psicologia da Saúde da Universidade
Federal do Rio Grande do Norte, e Pontifícia Universidade Católica de S.
Paulo. ·
Vice
Presidente – Região Atlântica da Asociación Latinoamericana de Psicologia
de la Salud (ALAPSA), Secretário Geral da Associação Brasileira de
Psicologia da Saúde e Hospitalar (ABPSH/ALAPSA- Brasil)
SUMÁRIO:
1.1.
Mas, o que é um Serviço de Terapia Intensiva?
(Histórico)
1.2.
Aspectos Psicológicos e Psiquiátricos evidenciados em
UTI.
2.1.
Condições Estressantes Observadas na UTI, de Impacto
Emocional Evidente.
2.2.
Possíveis Intervenções: Tentando reverter o quadro.
2.3.
Psicoterapia Breve e sua Aplicabilidade na UTI.
2.4.
Técnicas de Psicoterapia Breve Dinâmica, utilizadas
na UTI.
RESUMO:
O
presente artigo aborda, em linhas gerais, os principais pontos a serem
considerados em relação à atuação do Psicólogo da Saúde em Unidades de Terapia
Intensiva – Adultos. Trás uma série de considerações sobre o histórico e avanço
dessa área de atenção à saúde humana, e busca estabelecer interface entre a
visão biopsicosocial da pessoa internada em UTI, e a importância da atenção
integral a esta em um momento tão crítico de sua existência.
RESUMEN:
Lo presente articulo presenta, en líneas
generales, los principales puntos respecto de la actuación del Psicólogo de la
Salud en Unidades de Cuidados Intensivos – Adultos. Se hace una serie de
consideraciones respecto del histórico y avance de esa área de atención a la
salud humana, y busca establecer interfaces mientras la visión biopsicosocial
del enfermo internado en UCI, y la importancia de la atención integral a ese
bajo una situación muy critica de su existencia.
A Unidade de Terapia
Intensiva é um recurso hospitalar destinado ao tratamento de graves
enfermidades. O paciente crítico – o cliente desta Unidade – é especial pelas
suas condições, e por toda a demanda de cuidados que lhe são propostos ou
“impostos” - os cuidados intensivos.
O intensivismo é uma
especialidade voltada completamente a este paciente, que não está internado
somente por um comprometimento específico, mas um comprometimento sistêmico, em
todo o seu organismo.
O que inicialmente se
observa é que, através desta especialidade – tão comprometida com a vida – o
contraponto desta proposta de reversibilidade, das óbvias condições de possível
morte do paciente às condições de recuperação e total reabilitação, é o quanto
este tratamento é doloroso e confuso (não raro ambíguo) para o
paciente e sua família.
Sue, D.Y. e Bongard,
F.S. (1996) afirmam que o cuidado ao paciente crítico é único entre as
especialidades da medicina. Enquanto outras especialidades estreitam o foco de
conhecimento e interesse para um particular tipo de terapia, ou um particular
grupo de idades, a medicina intensiva é dirigida à pacientes com ampla
variedade de patologias, cujo denominador comum é a extrema severidade da
patologia ou o potencial para o desenvolvimento de severas complicações da
doença. Isto envolve o risco de vida.
Estes pacientes são, desta maneira, improváveis para terem reservas
normais de funcionamento e seus problemas orgânicos podem levá-los a falências
sistêmicas (renal, pulmonar, cardíaca, sistema nervoso central).
A Unidade de Terapia
Intensiva tem, então este propósito, conter as complicações em pacientes
críticos através de um tratamento de cuidados intensivos.
1.1.
Mas, o que é um Serviço de
Terapia Intensiva?
Seguindo os
regulamentos que regem a estrutura administrativa dos hospitais que possuem
U.T.I. ou S.T.I., este concentra os recursos humanos e materiais necessários ao
adequado atendimento aos pacientes, cujo estado clínico exige cuidados médicos
e de enfermagem – constantes, especializados e ininterruptos. Seu objetivo
principal é restabelecer, nestes doentes considerados graves, o funcionamento
de um ou vários sistemas orgânicos, gravemente alterados, até que a patologia
que motivou a internação seja adequadamente compensada ou até que os parâmetros
fisiológicos atinjam níveis aceitáveis.
Existem
critérios para a admissão de pacientes no C.T.I., U.T.I., ou S.T.I. e são assim
especificados, por esta ordem abaixo estabelecida:
1. Pacientes
para os quais a probabilidade de sobrevida sem U.T.I. é pequena, porém com
U.T.I. é grande;
2. Pacientes
para os quais a probabilidade de sobrevida sem U.T.I. é pequena, porém com U.T.I. pode ser grande;
3. Pacientes
que não estão gravemente enfermos, mas
que possuem um alto risco de se tornarem. A necessidade de cuidados
intensivos se justifica para prevenir graves complicações ou tratá-las;
4. Pacientes
com pequena probabilidade de sobrevida
apesar dos recursos disponíveis na U.T.I.
No início
do intensivismo, os pacientes obituavam em 24 horas. Daí a U.T.I. ter como
metáfora à relação direta com a morte, dor e desespero.
Hoje, a
U.T.I. pode manter o paciente com chances de recuperação por um tempo médio de
10 dias até um tempo indeterminado, para que se possa restabelecer o equilíbrio
orgânico – dando a continuidade ao tratamento possível.
Porém, a
U.T.I. tem uma rotina de 24 horas contínuas, e atendimento praticamente
individualizado, mas permeado de constantes situações de emergência. Os
procedimentos para com os pacientes, indubitavelmente, com raríssimas exceções,
são invasivos.
Ao mesmo
tempo em que favorece as possibilidades de recuperação orgânica, traz toda uma
gama de situações, que atuam como desestabilizantes para o equilíbrio
psicológico, incluindo alterações psicológicas e psiquiátricas – também
desencadeadas por situações ambientais.
1.2. Aspectos
Psicológicos e Psiquiátricos evidenciados na U.T.I.
Sampaio, A.
(1988) considera a possível ruptura entre a normalidade psíquica anterior e a
provável alteração pós-internação em U.T.I. Afirma que quando uma pessoa adoece
gravemente, algo em seu sentimento de inviolabilidade se rompe, constituindo um
estreitamento de horizonte pessoal, uma ruptura em muitas das suas ligações com
o seu meio, sua vida real e uma ruptura em muitas das suas ligações com o seu
meio, sua vida real e uma distorção do seu relacionamento com os demais, frente
a esta nova condição. Corpo Físico e referenciais emocionais estão frágeis.
Perceber que, por causa da doença grave se pode ou se está provavelmente
incapaz para os projetos de futuro, constitui um sério golpe.
A
internação em uma Unidade de Cuidados Intensivos, invariavelmente se associa a
uma situação de grande risco.
Em termos
psíquicos e emocionais mobiliza-se sentimentos extremos como o medo
insuportável, manifestações ansiógenas como a agitação psicomotora, ou a grave
depressão. O clima da Unidade, por características bastante específicas,
acentua sensações e sentimentos de desvinculação, ressentimento, desamparo.
Halm e
Alpen (1994) consideram que a contínua evolução da superespecialização na
medicina e a maneira tecnológica de providenciar o cuidado na Unidade de
Terapia Intensiva têm, potencialmente, efeitos perigosos no estado físico e
psicológico de pacientes e familiares. O ambiente da Unidade possui
características indesejáveis que predispõem os pacientes e seus familiares a
seqüelas emocionais.
O impacto
da “Bedside Technology”- ou a tecnologia de cabeceira, está associada a um
grande número de seqüelas psicológicas adquiridas no “setting” da Unidade. O
estranho maquinário, as constantes privações, interrupções e privação de sono,
a superestimulação sensorial, sede, dores, abstinência de alimentos comuns, a
alimentação endovenosa ou naso-enteral, a respiração por ventiladores, a
monitorização cardíaca e as sua sinalização, os catéteres, procedimentos
invasivos, a imobilização do paciente e ainda a superlotação de equipamentos no
local, é equivalente de desencadeantes para situações que propiciam alterações
psicopatológicas para o paciente, sua família e para a equipe de saúde.
Eisendrath
(1994) considera que muitos pacientes, na tentativa de manejar o estresse de
sua estadia, com mecanismos primitivos de enfrentamento, favorecem a regressão,
manifesta como uma dependência extrema. Os pacientes experienciam estressores
como o medo real da morte, a forçada dependência, as potenciais e permanentes
perdas de função. A separação da família e a perda de autonomia,
freqüentemente, encabeçam e promovem a regressão psicológica. Outros pacientes
podem tentar enfrentar ou lidar com os estressores por supressão de seus
sentimentos, com prejuízos graves para suas condições emocionais. Outros podem
desencadear outras reações, mas insatisfatórias para a equipe como a agitação,
desespero, choro convulsivo, agressões à enfermagem, manobras enfim, que atuam
como poderosos estressores também para o ”staff”, visto estes pacientes estarem
conscientes e emocionalmente frágeis. Ainda aponta que os dois sentimentos, de
ansiedade e medo são sensações muito ruins e associadas a uma não compreensão
do estímulo interno além da proporção dos estímulos ambientais da U.T.I.,
apreendidos como uma ameaça, estes aspectos são de difícil distinção, e devem
ser discutidos com a equipe para se obter melhores referenciais. Este autor
considera que o medo é extremamente percebido quando o paciente é admitido na
U.T.I., com a consciência do substancial tratamento que irá fazer, e que, a
continuação de sua existência resulta desta admissão. Neste sentido o paciente
pode reagir existencialmente, com sentimentos reais de desamparo, ao se ver
“abandonado” pela família, exatamente neste momento delicado, pois não há uma
compreensão pelo paciente da gravidade do seu próprio estado, e nem um
esclarecimento a ele, no momento da admissão, sendo esta normalmente abrupta.
Podem superficializar sentimentos de revolta por pressupor que foram omitidos
dados reais pelo seu estado ter piorado tanto, ou a real natureza do seu
problema orgânico. Neste sentido, o medo e a ansiedade são sensações de
importante significado, pois podem produzir mudanças fisiológicas, piorando o
quadro do paciente. O autor refere que os níveis de catecolaminas e
corticosteróides podem variar de forma impressionante durante os altos níveis
de ansiedade e pânico, alterando inclusive programações no tratamento (aumento
de pressão, aumento da glicemia, aumento dos batimentos cardíacos). Boucher e
Clifton (1996) também apontam a dor e sua conseqüente reação, a extrema ansiedade,
como condições insuportáveis pelos pacientes no contexto da U.T.I.
Como
consequência direta dos traumas ocasionados por acidentes (ou condições
abruptas), os procedimentos cirúrgicos, os procedimentos invasivos, os grandes
e custosos curativos e a longa permanência em U.T.I., a dor que acompanha estes
momentos é uma instância a ser especialmente considerada. Em casos extremos, a
dor, as dificuldades do tratamento, as alterações de sono, mais o acúmulo
destas sensações incontroláveis, podem evoluir para a Síndrome de U.T.I. –
alteração psiquiátrica que pode levar à psicose. Neste sentido é imperativo
pensar ações adequadas para a diminuição da dor, o manejo da ansiedade e o
rápido conforto dos pacientes, como prevenção de sua Saúde Mental.
Drubach e Peralta
(1996) referem que a administração dos traumas em pacientes críticos é uma
exigente tarefa. A adição de comportamentos alterados (psiquiátricos ou
emocionais exacerbados) significam problema grave. Referem-se às anomalias na
função psicológica, incluindo perturbações no comportamento, no humor, no
afeto, na percepção e no pensamento. Consideram que severos fatores afetam o
paciente, aumentando a incidência de fatores para os sintomas tornarem-se
proeminentes. Primeiro, a premorbidade para sintomas são considerados na
população admitida em uma Unidade Cuidados Intensivos, principalmente em uma unidade de trauma. Em segundo momento,
a “irritação cerebral” (cerebral injury) causada pelo trauma, são causas
freqüentes para as alterações psiquiátricas. Terceiro, as reações psicológicas
são inerentes às severíssimas condições médicas que causaram a hospitalização e
também o meio ambiente da U.T.I. Os sintomas psiquiátricos também podem ser
fonte importante de distresse para a equipe e a família. Sintomas como
agitação, psicose e a depressão podem complicar seriamente o curso da
hospitalização e a compreensão do evento que ameaça a vida, gerando seqüelas de
longa permanência. Os autores também sugerem que os médicos na Unidade saibam
reconhecer as complicações psiquiátricas de seus pacientes para providenciar
benefícios para estas condições. Referem que os sintomas psiquiátricos também
podem estar associados a complicações orgânicas (encefalopatias) decorrentes de
disfunções renais, hepáticas, metabólicas, cerebrais. Mas com certa freqüência
são reativos, estão associados às excessivas respostas psicológicas e são
potencialmente desorganizadores. Alguns sintomas como ansiedade exacerbada,
agitação psicomotora, ilusão, alucinação, até a depressão acentuada são reações
emocionais do paciente à doença, e que dependem da severidade da patologia, do
impacto também do tratamento e da hospitalização, e na qualidade do “Estar na
U.T.I.”, daí a importância do caráter realmente humanizador da tarefa.
2. Atuação do Psicólogo na Unidade de Terapia Intensiva:
Condições
que favorecem a sua presença e quais os benefícios
Fatores que
mobilizam sentimentos e sensações perturbadoras são referidos pelos nossos
pacientes, seus familiares e pela equipe de saúde constantemente. São
sentimentos angustiantes permanentemente presentes, mas podem ser compreendidos
e neutralizados pela pronta intervenção. Amenizar o impacto da “bedside
technology” ou tecnologia de cabeceira, é premente e importante para a sobrevivência do paciente crítico.
Estratégias
fundamentadas na detecção de distúrbios emocionais pelo psicólogo e/ou pela
equipe de saúde são uma primeira condição. Quando somos capazes de detectar
adequadamente a presença de possíveis transtornos, estes podem em princípio
receber a devida atenção e controle. Apesar desta detecção ser em função de
indivíduos com evidentes quadros de depressão, ansiedade, abstinência pelo uso
de álcool ou drogas, ou problemas psiquiátricos mais graves, na Unidade de
Terapia Intensiva a recomendação preventiva é oportuna, onde todos os seus
profissionais estão atentos ao paciente 24 horas, e podem detectar componentes
psicopatológicos na observação dos seus pacientes. Isto torna então a atmosfera
facilitadora e fator de integração com a equipe, e onde a atuação do psicólogo
pode ser de pronta intervenção, pela sua presença constante e sua formação
voltada para a investigação e análise de quadros comportamentais e situações de
risco. É importante que se ressalte que, a inserção do psicólogo junto à equipe
intensivista, visa justamente somar com seu saber e fazer, aos demais cuidados
para que se possa promover um amplo suporte à vida do paciente numa dimensão
biopsicosocial.
2.1.
Condições
Estressantes Observadas na Unidade de Terapia Intensiva, de Impacto Emocional
Evidente:
Foram
detectadas e observadas em U.T.I.s, pela presença constante do psicólogo no
processo de tratamento dos pacientes internados, as condições estressantes, que
podem desencadear agravos à saúde globais do paciente e o agravamento de
condições emocionais, inclusive de cunho catártico, tanto para este, quanto
para seus familiares e até a equipe de saúde, onde o suporte psicológico deve
ser imediato:
1. Pacientes
transplantados e seus familiares;
2. Pacientes
(e seus familiares) vítimas de violência (armas de fogo, armas brancas),
acidentes graves, tentativas de suicídio (queda de metrô/ trem, queda de
pontes/edifícios, intoxicação exógena, ingestão de substância corrosiva;
3. Vítimas
de grandes catástrofes, politraumatizados, que vão para a U.T.I.
4. Pacientes
com intubação oro-traqueal, conscientes e com agitação psicomotora e,
posteriormente, na presença dos seus familiares;
5. Pacientes
que necessitam de intubação oro-traqueal de emergência e estavam conscientes
até este momento (síndrome da angústia respiratória);
6. Extubação
acidental de paciente consciente, com perda de controle do paciente e do
profissional de saúde (perda da traqueostomia), com a iminência de possível
morte do paciente;
7. Extubação de paciente consciente por agitação
psicomotora e conseqüente imobilização no leito (pulsos amarrados à cama),
posteriormente ao evento;
8. Paciente
consciente, que agudiza e é submetido às manobras ressuscitadoras ou
reanimação, por parada cárdio-respiratória (vivência de quase-morte); com
massagem cardíaca externa e cardioversão (carga elétrica/choque);
9.
Óbito de paciente durante a visita de familiares e óbito de
paciente imediatamente após a visita e o Boletim Médico;
10. Familiares de
pacientes em coma reversível, extremamente frágeis pelas condições
incompreensíveis do quadro do paciente;
11. Familiares de
pacientes em coma irreversível;
12. Familiares de
pacientes em morte encefálica e o enfrentamento do processo de finitude;
13. A doação de
órgãos e suas vicissitudes;
14. Pacientes com
patologias oncológicas e/ou AIDS e com agudização das patologias oportunistas,
conscientes inicialmente e posteriormente com perda da consciência, a presença
de seus familiares;
15. Crianças e
adolescentes, com risco de vida, internados em U.T.I. de Adultos, com
estranhamento ambiental e necessidade da família permanentemente e as
dificuldades com a equipe de saúde;
16. Pacientes em
leito próximo a um óbito
17. Paciente em
leito próximo a óbito iminente ou de paciente em estado muito grave e com muito
sofrimento;
18. Paciente homem
ao lado de paciente mulher e conscientes.
As reações
emocionais destas pessoas, envolvidas em todos estes processos, são sem dúvida
especiais, onde se deve considerar o risco de ruptura egóica, psicológica e da
qualidade de vida.
2.2.
Possíveis
intervenções: Tentando reverter o quadro
Nichols
(1993) considera a necessidade de desenvolver um esquema de cuidados
psicológicos. O cuidado psicológico está ligado à eficácia do tratamento físico
e deve ter prioridade. Isso não deve ser exclusivo de elites, mas um básico
componente do tratamento, o qual todos devem ter acesso. O cuidado psicológico
deve ser designado para minimizar o altíssimo estresse e o impacto das doenças
e seu tratamento. Isto deve ser entendido como cuidado psicológico também
preventivo ao estresse do médico/enfermagem. O cuidado psicológico tem a
necessidade de ser preventivo, com ênfase e de acordo com os pacientes, seus
familiares e não somente como “pronto socorro”, fazendo parte de um processo,
diante da internação do paciente, principalmente em uma U.T.I.
Defrontar-se
com eventos nocivos e aversivos, tendo o risco e o medo, como emoções
dominantes, sem que se possa encontrar “saídas”- é responder com transtornos de
humor e afeto – ansiedade, angústia e depressão. A partir destes quadros
psíquicos, pode instalar-se “o desamparo”, condição emocional que é a base para
a reação depressiva – um dos quadros mais perigosos. É um estado psicológico
que destrói a motivação, retardando a capacidade de apreender o ambiente para a
consciência e o enfrentamento, em que as respostas de sentir-se desamparado são
generalizadas, sem que o organismo psíquico discrimine as situações em que se
está ou não em perigo. Os pacientes referem muito sobre as experiências de
U.T.I., sua auto-significação ou o sentimento de menos-valia. Esta emoção é
crucial e deve dirigir nossas intervenções.
Seligman
(1977) refere que o desamparo é fenômeno real, em que existem os indícios
comportamentais, os estados de espírito e os indícios fisiológicos. Desamparo
refere-se à falta de amparo subjetivo, falta de recursos internos para agir ou
enfrentar. Está associado aos distúrbios motivacionais, cognitivos e
emocionais. É resultado de eventos incontroláveis. A incontrolabilidade estaria
ligada à perda do controle ativo sobre as próprias ações. É o “Trauma do
Inescapável” que tem o medo como emoção predominante. Uma vez que o trauma
esteja sob controle, o medo é de pouca utilidade e declina. Para isto,
precisamos compreender melhor o paciente e qual será seu aproveitamento do
cuidado psicológico.
2.3.
Psicoterapia Breve e sua Aplicabilidade na Unidade de Terapia
Intensiva
Em resposta a
esta demanda, o papel preventivo da Psicoterapia Breve vem sendo cada vez mais
reconhecido. Observou-se que as respostas às experiências traumáticas são de
importância fundamental na prática da saúde psicológica. Amplia-se a hipótese
que intervenções preventivas aumentam a contribuição para além da dinâmica
intrapsíquica, principalmente em situações de crise. A Psicoterapia Breve é
extremamente eficiente em situações de crise ou de emergência. Small (1971)
refere que crises e tensões comuns à vida da maioria dos seres humanos produzem
uma demanda urgente e de intervenção rápidas. Uma intervenção rápida é eficaz e
sempre solicitada em acontecimentos catastróficos. A Psicoterapia Breve é
eficaz para um ambiente como a Unidade de terapia Intensiva, onde:
1. As
personalidades bem estruturadas estão transitoriamente fora de equilíbrio;
2. Indivíduos
menos integrados e com alterações maiores, de longa duração devem ser
reestruturados de modo mais eficaz:
A Psicoterapia de Emergência é
identificada com um método de tratamento para sintomas ou desajustamentos que
exigem o alívio mais rápido possível, por causa da capacidade que estes
sintomas psíquicos têm de levar a ameaça de vida. Então, objetiva o alívio da
sintomatologia. Wolberg (1971) acentua a necessidade do alívio dos sintomas, a
restauração do nível de funcionamento que existia anteriormente ao processo
catastrófico. O tratamento de emergência procura modificar a psicopatologia
incapacitante específica, sem necessidade de alterar estruturas psíquicas
básicas. Neste caso, visa elevar a eficiência operacional do paciente por meio
de uma readaptação na mais ampla escala possível, possibilitando assim a
melhora dos mecanismos de adaptação e enfrentamento. Apresenta-se como uma
técnica que não reformula o indivíduo, mas o ampara de fora para dentro. O sentido da terapia breve é solução de
problemas, em que o fundamental é a motivação e a utilização de técnicas de
aprendizagem, para fortalecimento da auto-estima e uma maior tolerância do
paciente.
2.4. Técnicas de
Psicoterapia Breve Dinâmica, utilizadas na Unidade de
Terapia Intensiva
1. Psicodiagnóstico – composto de
Avaliação Psicológica e Exame Psíquico, em que o
psicólogo utiliza o estado emocional do paciente, fatos sobre seus sintomas,
dados sobre sua história e declarações para estabelecer diagnóstico dinâmico
sobre seus conflitos mais importantes, nível de pressão de forças externas,
qualidade da rigidez, elasticidade e acessibilidade do paciente às questões
mais incompreensíveis e que exijam adaptação emergente.
2.
Este diagnóstico permite ao psicólogo predizer a
probabilidade de reação do paciente às várias medidas (procedimentos) e sua
provável tolerância e adaptabilidade. É
o desenvolvimento de um processo de compreensão psicodinâmica.
3. Uma
esquematização flexível estabelece um relacionamento com o paciente (vínculo)
que envolva atenção, comunicação, mesmo não verbal, compreensão dos problemas
que o cercam com empatia e confiança, para a devida tranqüilização do paciente
e em que ele pode ser ajudado.
4.
Desenvolvimento junto ao paciente de um
entendimento de sua dinâmica na U.T.I. e referências de suas dificuldades.
5.
Focalização de uma área de
conflitos, encorajando a conscientização e promovendo o enfrentamento de
situações .
6. Reconhecimento
de fatores destrutivos no meio ambiente que possam afetar o paciente e o seu
controle ou minimização.
7.
Rápido
combate de sintomas-alvos tais como: ansiedade extrema, episódios depressivos,
depressão reativa, medo incontrolável e
tensão.
8. Orientação
ao paciente quanto ao uso da sua compreensão interna como uma força capaz de
melhorar e modificar seu entorno, e as situações problemáticas, tornando-o
consciente dos mecanismos que estão impedindo seu desenvolvimento diante de
dificuldades controláveis.
9. Participação
ativa no processo em que terapeuta e paciente desenvolvam um plano de ação pelo
qual possam usar seus recursos, a fim de suportar as instâncias do tratamento e
cuidado intensivo.
Este modelo,
segundo Small (1971), se fundamenta em hipóteses básicas na comunicação,
compreensão e elaboração. É um processo que estimula o “espírito de luta” do
paciente. Este tipo de atuação é fundamentado na Psicoterapia de Intervenção na Crise. A anamnese explora os fatores
que permeiam a internação no hospital, e posteriormente, a internação na
U.T.I., assim como o relato de episódios de história de vida, anteriores. Uma
abordagem de apoio é lançada, em que o estado emocional do paciente é
enfatizado, especificando-se seu desconforto, seu caos psicológico, frente a
demandas insuportáveis. A adaptação deste modelo está em incluir a família
neste atendimento, ao mesmo em tempo que o terapeuta procura reduzir a
ansiedade deste.
Basicamente, a Terapia Breve em Situações de Emergência
deve contemplar :
1. Desenvolvimento
de transferência positiva;
2. Elevação
da auto-estima do paciente;
3. Restauração
de sua confiança;
4. Oferecer
apoio através da disponibilidade expressa do terapeuta em qualquer momento;
5. Orientação,
particularmente em casos de perigo;
6. Estabelecimento
de comunicação efetiva e colaboradora;
7. Mobilização
de atividades intencionais;
8. Aumento
da competência do paciente;
9. Repressão
de impulsos destrutivos e estimulação de outros impulsos;
10. Reconhecimento
do presente temporal e espacial (ênfase na realidade);
11. Liberação
de hostilidade sob controle (e a ser compreendida pela equipe);
3. OBJETIVOS
A SEREM ALCANÇADOS NA UNIDADE DE TERAPIA
INTENSIVA PELO PSICÓLOGO DA SAÚDE;
1. Trabalhar
terapeuticamente a relação emocional do paciente com a sua doença e/ou momento
de crise – pela necessidade de permanência na U.T.I. para o tratamento;
2. Orientar
o paciente durante o processo de internação, avaliando o quadro psíquico e
intercorrências emocionais;
3. Favorecer
a expressão não verbal do paciente intubado ou sem possibilidade de
comunicação, através de técnicas adaptativas à situação, aliviando o estresse,
sempre com caráter preventivo em saúde mental;
4. Favorecer
a expressão de sentimentos e emoções dos pacientes, sobre seu tratamento e
sobre sua experiência e vivência na U.T.I., ambiente psicopatológico por
excelência e mobilizador de conflitos;
5. Ampliar
através de técnicas psicológicas, a consciência adaptativa do doente frente ao
ambiente estressor, levando em conta o caráter deste paciente e seus recursos
internos de enfrentamento;
6. Estimular
a equipe a perceber suas dificuldades em lidar com situações críticas, atuando
em momentos paralisantes ou de grande angústia, com suporte psicológico,
visando o fortalecimento do profissional;
7. Acompanhar
e preparar psicologicamente os familiares de pacientes em situações críticas
como pré-óbitos ou morte súbita, morte encefálica, comas, e impacto de eventos
traumáticos;
8. Estimular
pacientes comatosos com ações especiais, visando ampliar as possibilidades
humanizadoras, frente às condições inóspitas vividas por estes pacientes, até a
superficialização de consciência, o que se traduz em cuidado intensivo e
afetivo aos momentaneamente incapacitados de reações observáveis;
9. Prevenir
a saúde mental de familiares que apresentam reações neurovegetativa (DNVs) na
U.T.I., próprias do ambiente crítico, tais como: desmaios, perdas de
equilíbrio, sudoreses, quedas de pressão, surtos psicóticos, reações
histéricas, frente à emoção de ver seu familiar internado na U.T.I., através de
entrevistas e atendimentos anteriores à entrada na U.T.I.;
10. Realizar
acompanhamento psicológico de familiares, oferecendo condições para expressão
de dúvidas, fantasias, falsos conceitos em relação à doença e à necessidade de
permanência do paciente na U.T.I.;
11. Desenvolver
atividades de estudo e pesquisa em Bioética, principalmente, na Unidade de
Terapia Intensiva;
12. Promover a
humanização da tarefa do intensivismo, melhorando a qualidade de vida do
paciente; da família e equipe de saúde;
13. Avaliar o grau
de comprometimento ambiental da Unidade de Terapia Intensiva, determinando
condutas positivas em Saúde para o desenvolvimento de capacidades e funções
benéficas ao paciente;
14. Desenvolver
atividades didáticas com os estagiários em Psicologia da Saúde na U.T.I. –
graduandos e formados; com internos e residentes médicos e outros profissionais
de saúde, atuando de forma integrada, colaborando para uma visão global do
paciente e contribuir para um maior entendimento por parte da equipe de saúde,
de forma transdisciplinar, dos comportamentos e situações de alto grau de
estresse para o paciente, familiares e equipe de saúde.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Boucher, B.A; Clifton, G.D. (1996) – Critical care Therapy in Drug and
Disease Management. Herfindal e
Gourley (eds.) –. USA.
Di Biaggi, T.M. (2001) – Relação Médico
família em UTI: a visão do médico intensivista. Tese de Mestrado,
Pontifícia Universidade Católica de S. Paulo.
Drubach, D.A.; Peralta, L.M. (1996). – Psychiatric Complications, em Maciel,
K.I.; Rodrigues, A.; Wiles C.E. (orgs.)
Complications in Trauma and Critical care. W.B.Saunders, Philadelphia. pp.
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Eisendrath, S.J. (1994). Psychiatric Problems in Critical Care,
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Paes, M.J. (2000) – Reflexões sobre a
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LEITURAS COMPLEMENTARES:
SEBASTIANI, R.W. (1995). O
Atendimento Psicológico no Centro de terapia Intensiva, em Angerami-Camon, W.;
Trucharte, F.R.; Knijnik, R.B.;
Sebastiani, R.W. (orgs) . Psicologia Hospitalar-Teoria e Prática; Pioneira, pp.29-70, São Paulo
MAY, R. (1976). Psicologia Existencial.
Editora Globo. Porto Alegre.
MAY, R. (1978). O Homem à Procura de si
Mesmo. 6a Edição. Editora Vozes. Petrópolis.
SIFNEOS, P. (1989). Psicoterapia Dinâmica
Breve-Avaliação e Técnica. Artes Médicas. Porto Alegre.
KIERKEGAARD, S. (1972). O Conceito de Angústia.
Editorial Presença. Lisboa.
BENSON, H. (1980). Medicina Humanista. Editora
Brasiliense. São Paulo.
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Boletín Latinoamericano de Psicología de la Salud |